Publicado por: Miss Pamplona em: 21/10/2008
Apesar dos preços salgados, hotel The Maze atrai visitantes de todo o mundo
Com diárias entre R$80 e R$150, em alta temporada, o hotel The Maze é um dos mais diferentes da cidade. O casarão tem vários corredores, alguns ambientes são todos de azulejos coloridos e as paredes são decoradas com temas da cidade e obras de arte. O local é inusitado: o “labirinto” (tradução para o nome em inglês) foi construído no alto da Favela Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro. O turista que se hospedar no morro tem direito a café da manhã, com frutas tropicais, e vista para o Pão de Açúcar e para a Baía de Guanabara. Durante o Réveillon, é possível ver os fogos de Copacabana. Do Ano Novo ao Carnaval, os doze quartos ficam lotados de estrangeiros.
O proprietário, o inglês Bob Nadkarni, foi repórter cinematográfico da BBC, em Londres, e desembarcou no Brasil há 36 anos. A história é curiosa: Bob parou na Bahia depois que o navio que o levaria para o Equador quebrou. Ele, então, resolveu se estabelecer no país e veio morar no Rio. Em terras cariocas, Bob teve uma empregada que morava no morro. Um dia, quando ela passou mal, ele foi levá-la para a casa. Ao olhar pela janela do barraco, se apaixonou pela vista. Gostou tanto que resolveu viver na favela, há 25 anos.
A idéia do hotel foi nascendo aos poucos e, no final de 2005, o The Maze foi aberto ao público. “As pessoas sempre se hospedavam na minha casa, passei só a cobrar por isso”, se diverte Bob. Hoje, alemães, suecos, portugueses, americanos sobem as pequenas ruelas da favela para passar alguns dias no “Hotel Favela”. “Foi crescendo com a propaganda boca a boca: um turista ia falando para o outro e o negócio foi se expandindo. Não fiz nenhum tipo de anúncio”, lembra Bob.
A segurança é garantida pelo quartel do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), que fica bem ao lado do local. “Aqui é bem calmo, e os freqüentadores não têm medo”, garante o proprietário. Há mais de oito anos não há registros de nenhuma tentativa de invasão na favela. Toda primeira sexta-feira do mês, à noite, tem jazz com churrasco e caipirinha – uma mistura inusitada. O evento começou com um público de 12 pessoas. Um ano e meio depois da primeira apresentação, os números variam entre 200 a 250 visitantes.
Para chegar ao “The Maze”, que fica na rua Bento Lisboa, ao lado da padaria Nova Viriato, os turistas e visitantes podem usar vans ou moto-táxi, que rodam até as 23h.
Yasmin Pamplona
aMAZ’E'ing! (piadinha infame… esquece)
Enfim… Coisa de gringo mesmo… não só se hospedar em cima de favela, mas construir alguma coisa lá em cima. Quanto será que o Bob tem que dar para o tráfico?
Outra coisa: vamos combinar que esse negócio de turismo de favela é ridículo!
Vida longa ao blog. =)
Besos.
Legal sua dica
Carol, o Bob não precisa dar nada para o tráfico pela seguinte razão: Nós, da Tavares Bastos não temos tráfico. Há mais de sete anos, o Bob conseguiu que o então governador Anthony Garotinho instalasse o QG do BOPE lá em cima. E hoje não temos traficantes, nem bala perdida, e a violência é somente das filmagens que são feitas lá em cima (filmes, novelas, clips).
Turismo na favela é realmente ridículo quando você só tem miséria para exibir. Por isso não fazemos turismo na favela. Abrimos nossa porta para quem quiser apreciar uma vista fantástica, para que quiser ver o nascer do sol, para quem quiser curtir uma música de qualidade e conversas agradáveis e interesantes. E mais, se cada pessoa que mora em uma favela lutasse, como o Bob lutou por nós, para que pudessemos morar, pelo menos, com segurança, com certeza a comunidade onde vive estaria livre para se valorizar e progredir com dignidade. Nossas crianças fazem parte da Orquesta infantil da Petrobras, temos quatro meninas da nossa escolinha de Balet que foram aprovadas para a Escola de Balet do Teatro Municipal. Nossos jovens se espelham em profissões como cinema, televisão, jornalismo. Nossas crianças tem algo que toda criança deveria ter: Oportunidade para um futuro melhor.
23/10/2008 às 00:11
Bem inusitada a matéria… quem poderia imaginar? um hotel em plena favela carioca. Só mesmo um olhar de fora para enxergar, as vezes, a diversidade que possuímos, nossas potencialidades latentes.
Se não fosse o tráfico de drogas e principalmente, sua demanda, acredito que os morros cariocas seriam um lugar estimulante para a cultura, o lazer e serviços… reduto de originalidade, criatividade e improviso.
Salve Cartola!!!