Mexericos Públicos e Privados

Archive for julho 2009

Um erro de avaliação, um levante feito de forma precipitada, e a morte de uma inocente. Estes são alguns dos ingredientes do livro Elza, a garota: a história da jovem que o partido comunista matou, de Sérgio Rodrigues, lançado pela editora Nova Fronteira. A narrativa alterna realidade e ficção, e conta fatos que por mais de 70 anos as esquerdas quiseram esquecer. A morte de Elvira Cupello Calônio, mais conhecida pelo codinome de Elza Fernandes, foi o símbolo do fracasso da Intentona Comunista de 1935.

Aos 16 anos, interiorana e analfabeta, Elza era esposa do secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Miranda. A menina não entendia de política. E nisso, parecia não diferir muito dos seus companheiros do PCB. Em meados da década de 30, os comunistas pensavam que o Brasil estava pronto para a revolução. Luiz Carlos Prestes, líder do levante, achava que o prestígio dele ajudaria na adesão dos quartéis.  Seria a revolução operária, feita por militares, num país com uma indústria incipiente: erro de avaliação de um partido despreparado.

Contudo, o Governo Vargas não seria pego de surpresa. Como relembra um dos personagens, Vargas estava prevenido “esmagou aquilo como quem mata um piolho entre as unhas. Plec.” A tentativa de levante que pretendia tirar o ditador do poder só conseguiu legitimá-lo ainda mais. “Em condições normais, Getúlio não teria durado muito. Agarrou com as duas mãos a oportunidade que os revoltosos de 1935 lhe deram, a de galvanizar a opinião pública contra o perigo vermelho”. A Intentona não mobilizou os quartéis, foi ignorada pelo povo, abriu caminho para a ditadura do Estado Novo, e enfraqueceu ainda mais as esquerdas no Brasil.

A polícia prendeu, em dois meses, mais de 17 mil pessoas. “Era a hora do acerto de contas de Getúlio Vargas com tudo o que cheirasse a oposição”. Um dos homens de Moscou, Franz Paul Gruber – especialista em explosivos – era um espião. Mas, só Elza foi morta, pelo próprio PCB, acusada injustamente de delatar os comparsas. Por essas e outras que Xerxes, chamado no livro de a “História Encarnada”, diz que a grande diferença entre “os filhos da puta de extrema direita” e os “filhos da puta de extrema esquerda” é que os primeiros sabem que são “filhos da puta”, já os segundos “se acham mais puros que São Francisco de Assis”.

Yasmin Pamplona

Um livro que mescla jornalismo e literatura

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